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	<title>Mala de Garupa</title>
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		<title>“Chile, escucha! Tu lucha és nuestra lucha!”</title>
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		<pubDate>Wed, 12 Oct 2011 18:04:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Medeiros de Lima</dc:creator>
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<p>A globalização, exaltada por uns e rechaçada por outros, corta com dois gumes: se, por um lado, suas diretrizes políticas transbordam fronteiras geopolíticas, as manifestações as perseguem como uma sombra. Exemplos barulhentos de insurreições contra o sistema – árabes e européias &#8211; refletiram também no Chile, onde centenas de milhares de estudantes ocuparam escolas e levantaram barricadas contra as heranças educacionais de Pinochet.<span id="more-174"></span></p>
<p>Desde que caiu a ditadura militar chilena, de pronto o neoliberalismo ocupou o vácuo político por ela deixada. A educação, portanto, também caminhou por esta linha: a tradicional Universidade do Chile, embora pública, tem tarifas que variam entre 500 mil e 4 milhões de pesos chilenos (algo como 4 mil e 16 mil reais, respectivamente) – uma pequena fortuna, ao saber que 10,2 dos 17 milhões de chilenos vivem com renda média menor que a dos angolanos. Ademais, o atual presidente Sebastian Piñera toca um projeto de reforma privatista na educação básica, rompendo assim a espinha da educação pública e gratuita chilena. Em continuidade, cabe dizer, ao governo antecessor de centro-esquerda.</p>
<p><em>Por supuesto, </em>as ruas chilenas de pronto se ocuparam. Em 2006, seiscentas mil pessoas se juntaram aos secundaristas e seus uniformes azuis e brancos na chamada Revolta dos Pinguíns. Este ano, argumentando incostitucionalidade nas atitudes do governo, novamente os caminhantes tomaram o lugar dos automóveis, e com maiores ganas. Na tarde desta terça-feira, 9 de agosto, mais de 120 mil estudantes marcharam de mãos dadas com professores contra o governo, em Santiago e no resto do país – esperando uma nova proposta educacional do Estado para esta quarta-feira.</p>
<p>Os respingos da manifestação chilena chegaram a Córdoba, tradicional paradeiro de estudantes de toda a América Latina. Puxados pelo coletivo “Casa 1234”, 200 estudantes – chilenos, argentinos, latino-americanos &#8211; se reuniram em frente ao consulado chileno em Córdoba com o mesmo humor e criatividade peculiares das manifestações no Chile: nariz de palhaço, estêncil, pinturas, cartazes, música, encenações teatrais, bandeiras e máscaras com a cara desvirtuada de Piñeras. Palavras de ordem enfatizavam que a crise da educação não é momentânea, mas sim estrutural e horizontalmente distribuida por toda a América. A caravana seguiu agregando seguidores até a cidade universitária, fazendo uso de muros e ruas para gravar com tinta e <em>spray</em> tudo que gritavam desde o consulado.</p>
<p>Por abrangente que é a causa, plural era a mobilização: partidos políticos, representações estudantis, organizações de juventude e grupos artisticos, todos no mesmo passo. Também no mesmo passo seguem os outros países latino-americanos: adotando políticas que referendem a educação privada em detrimento do ensino público. A resposta dos indignados, por respeitosa obrigação, segue o ritmo da marcha: se intensifica e se multiplica, em milhares de pequenas células, por todo canto.</p>
<p>Causa e efeito, ação e reação, todos globais. Os chilenos pedem: aumento da porcentagem do PIB e do financiamento público para a educação – nos mesmos moldes que a União Nacional dos Estudantes e a maioria das organizações estudantis brasileiras levantam como principal bandeira da luta atual; democratização do acesso, qualidade, gratuidade, heterogeneidade social, todas as reivindicações habitam os cadernos de tese tanto chilenos como brasileiros – e seguramente pelo resto do mundo. A crise, os problemas, as reivindicações, as mesmas em toda parte. A solução talvez também seja única, e isso, todavia, não está posto a todos. Mas as ganas de mudança social já não cabem dentro de cada indivíduo revoltado, e as manifestações, por mais isoladas que estejam, pipocam por toda parte para criticar uma erva-daninha de raíz única. O caminho para uma revolução permanente são manifestações globalmente permanentes. É só abrir a janela e olhar para as ruas.</p>
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		<title>Da última tropeada</title>
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		<pubDate>Wed, 12 Oct 2011 17:54:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Medeiros de Lima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Chapéu fincado na testa, poncho emalado na garupa do mouro e olhar perdido entre as tranças das encilhas, Nicanor firmava com incomum demora os arreios. -        Te apruma, Seu Nicanor! A tropa é pr&#8217; este mês! Cincha firme, barbicacho apertado, pé no estribo – tremulante. Um arrepio – daqueles que só o Minuano traz pelas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=maladegarupa.wordpress.com&amp;blog=13441975&amp;post=171&amp;subd=maladegarupa&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone" title="Da última tropa (foto: Eduardo Amorin)" src="https://mail.google.com/mail/?ui=2&amp;ik=8e24d0e84b&amp;view=att&amp;th=130e1b171d4dc070&amp;attid=0.1&amp;disp=inline&amp;realattid=f_gpk0mgi71&amp;zw" alt="" width="585" height="389" /></p>
<p>Chapéu fincado na testa, poncho emalado na garupa do mouro e olhar perdido entre as tranças das encilhas, Nicanor firmava com incomum demora os arreios.</p>
<p>-        Te apruma, Seu Nicanor! A tropa é <em>pr&#8217; este</em> mês!</p>
<p>Cincha firme, barbicacho apertado, pé no estribo – tremulante. Um arrepio – daqueles que só o Minuano traz pelas frinchas da porta, nos agostos dos campos do fundo – riscou o lombo do tropeiro na hora em que alçava a perna por riba do cavalo. Surpreso, Nicanor desatou um sorriso nervoso e amarelo enquanto deixava a rédea correr na mão, encurtando a estrada no acelerar do passo do mouro.<span id="more-171"></span></p>
<p>Que sina maleva, matutava. Ora, logo ele, o mais andado daquela comitiva, frouxando a perna pra mais uma das tantas tropeadas. Logo ele, que repetia desde um distante inverno o caminho das tropas, quando o avô lhe chamara para tocar uma centena de bois até a charqueada. Logo eu, que tenho mais légua de estrada do que ruga no rosto! Eu, este velho enrugado! Ora, eu que tenho mais chuva no lombo e mais poeira nas vistas que toda essa indiada, agora dei pra sentir nervoso?! A roseta da espora tilintava na cabeça de Nicanor, como se insistisse em apontar – com sarcástica certeza – para o rumo correto a ser seguido.  Que os tempos eram brabos, todos suspeitavam. Que aquela era a derradeira tropeada, só o coração de Nicanor sabia.</p>
<p>Do alto da coxilha, até onde a vista alcançava, a estrada serpenteava varzedo abaixo, qual cruzeira antes do bote. Desviando voçoroca e pedra-moura, a trilha pisada e repisada por incontáveis cascos de bois – cumprindo, para esses, a triste sina de ser caminho só de ida – tão logo seria mais uma vez engolida pela comitiva que, inebriada pela amplidão do pampa, se encaminha tristonha ao matadouro; tão logo, pra um que olha de longe, a polvadeira se erguerá juntando tudo – boi, cavalo, terra, homem, pampa – em uma só massa disforme que se arrasta <em>a campo fora.</em></p>
<p>Mais perto, a mirada turvava. Duzentas e vinte cabeças de gado batendo guampa e ressonando mugidos em um ponto e outro da longa extensão de reses. Nicanor, na culatra da tropa, aproveitava o intervalo das prosas (se não sobre chinas, sobre carpetas ou bravatas) para sovar a palha e fechar o gordo palheiro que – mais que para espantar mosquitos – servia para alumiar as ideias.</p>
<p>Já tinha um ou dois invernos que as tropas minguavam. Pouco estancieiro ainda confiava seu rebanho às vistas e aos cuidados dos tropeiros – esses também escasseando e envelhecendo. Por todo canto do país só se falava no progresso, que naquelas bandas se materializava nas grandes rodas e na caçamba de um caminhão boiadeiro. Mais seguro e mais ligeiro, argumentavam os donos do gado. Qual progresso, qual nada – remoía a palha e cuspia no chão o angustiado Nicanor. Nada cambiaria a ideia de um vaqueano antigo, que se fizera homem no trono dos bastos, fazendo coro aos gritos de <em>venha boi!</em><em>, </em>ora culatreando, ora fazendo o fiador da tropa, vez por outra de ponteiro. Como dissuadir um <em>viejo caudillo</em> de compor seu mundo na mala de garupa e garrar a estrada que de tanto lhe emparceirar já era uma extensão de seu universo? Mas nem que aprenda a voar, esta bicharada! Da <em>botella</em> de canha que levava escondida nos <em>peçuelos</em>, arrancou um longo gole para ver se espantava de vez aquele ardume na barriga que ele não sabia de onde vinha.</p>
<p>A meia-braça de sol que ainda faltava escorrer mostrava aos da última tropa que o pouso não tardaria a apontar em sua frente. Pouso tranquilo para o primeiro dia de tropeada: água pros bichos, galpão pros homens, canha e guitarreada pra mente. Nicanor era o único que não mantinha os olhos fixos na linha reta do horizonte, esperando a rendição do descanso aparecer. A ele, chamava mais atenção àquilo que o sol – o que restava ainda de sol – iluminava na beira da estrada: aquela cerca de pedra, agora ganhando uma tonalidade esverdeada de esquecimento e desuso; o imponente pé de cedro, remanescente daquilo que nas primeiras tropeadas era um capão de mato vistoso e hoje é lavoura; o antigo bolicho já tapera, que o tempo cobrira de capim e apagara sua existência da memória de todos. Cada pedra chutada e pisoteada pelos bois e cavalos – como se fosse um antigo álbum de fotos saído da mais funda gaveta &#8211; recordava Nicanor de lembranças longínquas que teimavam em ressurgir. E o velho, com a experiência que o tempo lhe relegara, já queria compreender porque a nostalgia lhe tomava conta de cada grão do corpo.</p>
<p><em> </em></p>
<p>Era providencial a lua minguante daquela noite inverneira que acabara de chegar. Parecia predestinada a proporcionar o fim. A boiada, contada e recontada nas tarcas dos tropeiros, já se aconchegava entre as macegas para o sono – os tropeiros, recostados nos bastos, guitarra ao peito, cantavam toadas de ronda para o aconchego dos bois. O céu salpicado de estrelas, os vaga-lumes e as brasas de palheiro formavam a constelação que fazia as honras de iluminar o paradouro; mais que ela, o álcool a correr nas veias de Nicanor clareava de vez o que deveria ser feito.</p>
<p><em> </em></p>
<p>Não fazia mais sentido viver aquela vida, dedicar-se a algo que estava prestes a terminar, fadado ao fim. Ele preferia desistir, largar tudo antes que o inevitável fim chegasse, antes que o pala negro do progresso encobrisse de vez aqueles errantes que insistiam em levar a vida às custas de um trabalho então obsoleto. Era uma ilusão. Aquela vida – finalmente e tristemente constatou Nicanor – era um fragmento do passado incrustado na vida moderna. Quem precisa de homens que jogam sua vida na mesa-de-bolicho da estrada pra empurrar gado alheio, sustentados pela fé, pela canha e pela honradez? Honra, afinal, não vale mais nada. É mais fácil comprar óleo <em>diesel</em><em> </em>do que pagar homens honrados. É mais fácil e mais lucrativo, pra esses que arrastam cada vez mais suas garras de ganância pelos campos. Eu, Nicanor, não fui feito pra ver o fim daquilo que foi o meio da minha vida.</p>
<p>Em meio ao pampeano silêncio, mais uma vez Nicanor firmava os arreios e sentava o chapéu na testa. A bota alçada ao estribo, as rédeas firmes na mão com uma confiança única. Saiu sozinho e silente, como que adentrando a atmosfera do lugar, rumando à volta <em>pr&#8217;as</em> casas. Em despedida, somente o negro poncho abanando ao vento. A inquietude que lhe acompanhava se dissipava no surdo retumbar das patas do mouro no verde <em>bombo</em> do chão. Agora, enfim, ele podia seguir tranquilo o rumo que a roseta da espora sempre apontara. Pra nunca mais voltar.</p>
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			<media:title type="html">Da última tropa (foto: Eduardo Amorin)</media:title>
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		<title>Bosch-Werner, 1951</title>
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		<pubDate>Wed, 12 Oct 2011 16:38:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Medeiros de Lima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Devia ser Maio de 1952 quando eu cheguei ao distrito de Ibirubá, provavelmente o lugar mais longe do mundo – com o perdão do exagero, qualquer um perde a noção do tempo e da distância depois de alguns meses num navio.  Viagem escura e úmida &#8211; durasse mais alguns dias a maresia já me causaria [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=maladegarupa.wordpress.com&amp;blog=13441975&amp;post=167&amp;subd=maladegarupa&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Devia ser Maio de 1952 quando eu cheguei ao distrito de Ibirubá, provavelmente o lugar mais longe do mundo – com o perdão do exagero, qualquer um perde a noção do tempo e da distância depois de alguns meses num navio.  Viagem escura e úmida &#8211; durasse mais alguns dias a maresia já me causaria danos irreversíveis. Tirando o desconforto de viajar dentro de uma caixa no porão do navio e um que outro arranhãozinho, cheguei inteiro ao meu destino (e eu nem sabia muito bem o que eu estava indo fazer lá). Hoje, eu, um velhinho carcomido e quase sem voz, me dou ao luxo de postar-me altivamente pra contar minha história.<span id="more-167"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Saí ainda moço da artística Kassel, cidade relativamente grande da região central da Alemanha, vanguarda cultural. Qualquer coisa distante 20 quilômetros de um centro urbano estruturado, para mim, já era o mato. Ibirubá, nessa situação, tu imaginas: era o coração da Mata Atlântica brasileira.</p>
<p style="text-align:justify;">De qualquer forma, a missão a qual fui resignado era – eu sabia – deveras importante. Tanto que fui recebido como grata novidade no pequeno povoado que até hoje é minha residência. Hospedaram-me na igreja, bem no alto, no mezanino &#8211; um privilégio. Ergueram até um tablado para que eu pudesse acompanhar a missa bem de cima. Nos primeiros dias de minha estada, muita gente veio me ver, com ares algo curiosos. Embora a grande maioria daquela gente viesse da mesma Alemanha que eu, os olhares me batiam como batem a um estrangeiro (nada comum por essas bandas, por sinal).</p>
<p style="text-align:justify;">Logo eu pude perceber que não havia cruzado um oceano e alguns quilômetros de mato por mera força do destino. Confesso que até me assustou a importância que eu tinha para aquela gente de fala estranha. Até mesmo deputado estadual andou mexendo seus palitinhos para que eu viesse parar aqui nestes fundos. Fiquei sabendo, por cochichos e por documentos, de toda a mobilização que fez a gente ibirubense para que eu viesse morar com eles. Gastaram várias dezenas de milhares de cruzeiros pra que eu de fato viesse. 67,386 cruzeiros, me parece. (Modéstia à parte, essa parte da minha história me orgulha um grande tanto.) Teve até comissão organizada, só para a minha vinda! Tudo só por mim, eu! Que tal?!</p>
<p style="text-align:justify;">No começo, quase ninguém conseguia conversar comigo. Aliás, poucos se arriscavam a tentar um diálogo. Obra de arte moderna, alienígena, vaca com cinco tetas&#8230; qualquer um deles se sentiria da mesma forma como me senti nos primeiros dias: algo fora da realidade pr&#8217;aqueles fundos. A não ser, é claro, pelo pastor Karl Seibel.</p>
<p style="text-align:justify;">Excelente pessoa, te digo, aquele pastor Karl. Assim que cheguei, me contaram o quanto ele admirava os da minha família – que ele veio a conhecer em outras comunidades evangélicas do estado. Foi ele quem me quis em Ibirubá. Ele que soube enxergar o que a comunidade queria ouvir. Tamanha era a vontade de Karl em me inserir na vida daquela comunidade que o próximo se prestou a viajar até a minha saudosa Alemanha para especializar-se em música sacra – e de música sacra eu entendo. E gosto. Gosto demais. Redundância seria dizer que vivo e sempre vivi de música sacra.</p>
<p style="text-align:justify;">Havia também – como não lembrar – o senhor Wilhelm Döring. Não fosse ele, provavelmente eu teria perdido a fala ainda mais jovem. Quero dizer, se ninguém conversasse comigo, eu não tinha era função nenhuma na Ibirubá. E o Wilhelm sabia disso, e como conversava aquele moço! Falávamos fluentemente sobre coisas da Alemanha, da França, da Suíça&#8230; de toda a Europa. Mas Wilhelm sempre me alertava: estamos no Brasil, precisamos conversar com os brasileiros, você precisa conversar com os brasileiros. Aos poucos me acostumei com a língua que não era minha. Aquele alemão carregado que os imigrantes de Ibirubá falavam já não soava mais tão estranho. Me tornei, por consequência inevitável, um brasileiro.</p>
<p style="text-align:justify;">E o concerto seguiu, europeiamente abrasileirado. O tempo me permitiu fincar raízes nessa terra vermelha que os meus então compatriotas reviravam e semeavam todo ano para, a partir do que ela lhes dava, forrar a pança de seus novos ibirubenses. Estes pançudinhos que agora já cresceram e hoje criam outros ibirubensezinhos, que logo terão também seus filhos para dar de comer.  Dos primeiros rebentos daqueles meus contemporâneos da década de 50, me lembro bem. Os filhos deles, pouco vi – quase nenhum vem à igreja. E os que vêm, nunca reparam em mim: mais um velho entre tantos que aqui, nostálgicos, vão padecendo.</p>
<p style="text-align:justify;">Todavia, isso não me assusta mais do que os cupins ou a ferrugem. A vida, cíclica que é, nos coloca limites, nos apresenta um começo e um fim, inevitavelmente. E esse intervalo às vezes me pareceu tão grande quanto o maior dos meus tubos de ressonância graves. Em outras, tão limitado quanto as quatro oitavas e meia de comprimento do meu teclado. Mas desde que tocaram em mim a primeira missa até o último réquiem que os meus tubos ressonaram, sempre me passou uma leve brisa sussurrando que eu deveria dar todo meu fôlego enquanto a mim fosse possível fazê-lo.</p>
<p style="text-align:justify;">Quem hoje me vê assim, corroído de cupins por dentro das flautas, enferrujado por fora dos tubos, com as teclas rígidas e entravadas, com a respiração barulhenta e servindo de morada pra uma colônia de aranhas, não diz que eu ainda sou o mesmo sujeito importante, vindo da Alemanha de navio, depois de tanta reivindicação; não diz que eu cantei mais alto que todo mundo dentro desta igreja, e que tive as melhores conversas com aqueles cheios de bom sentimento que comigo sentavam a conversar na hora da missa; não diz que eu sou o mesmo Bosch-Werner, de 1951, com oito registros (dois manuais), pedal e movido a energia.</p>
<p style="text-align:justify;">Se eu me preocupo com o derradeiro fim? Não de verdade. Ainda esses dias teve um pançudinho aqui tirando umas fotos de mim, até tentamos uma prosa. Ando mais entretido ultimamente. E o melhor de tudo: o atual pastor adora música sacra!</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">(<em>reportagem publicada originalmente na revista Fora de Pauta, edição nº 12)</em></p>
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		<title>Aqui no sul é assim</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Dec 2010 18:10:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Medeiros de Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[texto]]></category>
		<category><![CDATA[festivais nativistas]]></category>
		<category><![CDATA[festival]]></category>
		<category><![CDATA[música gaúcha]]></category>

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		<description><![CDATA[Fim de um dia de primavera no interior do Estado. O cenário para a comunhão da arte está montado da forma mais ortodoxa: um palco, meia-dúzia de milhares de cadeiras de frente para ele e uma imensa lona de circo fazendo as vezes de firmamento, prevenindo alguma intempérie que venha a atrapalhar o espetáculo. Com [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=maladegarupa.wordpress.com&amp;blog=13441975&amp;post=140&amp;subd=maladegarupa&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
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<p>Fim de um dia de primavera no interior do Estado.</p>
<p>O  cenário para a comunhão da arte está montado da forma mais ortodoxa: um  palco, meia-dúzia de milhares de cadeiras de frente para ele e uma  imensa lona de circo fazendo as vezes de firmamento, prevenindo alguma  intempérie que venha a atrapalhar o espetáculo.</p>
<p>Com  a noite já posta, apenas o palco segue vazio. As cadeiras estão, uma a  uma, ocupadas. Todas elas recostam um alguém que as ocupa pelo mesmo  motivo do que está sentado ao seu lado. Cada ocupante das milhares de  cadeiras tolera pacientemente o vazio do palco, pois sabe que em  instantes o vazio se encherá de inspiração, e é de lá que virá a  novidade que todos aguardam.</p>
<p><span id="more-140"></span></p>
<p>Sob a lona estão, sentados, aqueles velhos, de ralas melenas e barbas <em>tordilhas1</em>,  que há mais de 30 anos participam de eventos desta espécie. Estão  também suas filhas, seus filhos – e até algum netinho correndo entre as  cadeiras enquanto o espetáculo não começa.</p>
<p>E  a espera não é tão grande. Basta o tempo de anunciar os futuros  ocupantes do palco, e os instantes que eles levam para ajustar suas <em>guitarras acústicas2</em> e seus acordeons. Aí sim, está tudo posto: acendem-se as luzes e  aqueles predestinados seres tem pouco mais, pouco menos de cinco minutos  para defenderem, perante o público, o trabalho criativo que &#8211;  certamente – não brotou, de onde quer que tenha brotado, com facilidade.</p>
<p>Naquele instante, ninguém mais se ocupa de qualquer outra coisa a não ser mirar o tablado. Até mesmo o vendedor de creps  dá uma desviada no seu trabalho para apreciar a obra que em instantes  varrerá dos pensamentos de todos que estão sob a lona qualquer coisa que  esteja fora dela, qualquer coisa que não seja música.</p>
<p>Enfim no palco, são três violonistas, um acordeonista e um cantor. Na contagem de “&#8230; três, quatro!”, o primeiro acorde da <em>milonga</em>3 marca o começo do derradeiro destino daquela composição.</p>
<p>E assim começa o <em>negaceio</em>4 entre músicos e plateia, entre músicos e jurados. Aqueles poucos instantes entre a primeira nota e o derradeiro <em>arpejo</em>5  da guitarra são o tempo limite para que os músicos convençam o público e  os avaliadores de que sua música merece alguma congratulação.</p>
<p>Assim  começaram inúmeras vezes, em tantos de festivais, nos mais singulares  rincões do interior do Estado, um numero infindo de obras musicais, tão  singulares quanto os lugares que as recebiam. Desde a primeira  Califórnia da Canção Nativa, naquele dezembro de 70, os festivais de  música regional do Rio Grande do Sul compreendem uma farta quantia da  produção musical e cultural do Estado. Eles compõem um movimento  cultural de características ímpares: ano a ano, centenas de músicas e  poesias são compostas, apresentadas e registradas em discos; cada uma  dessas canções retratando um fragmento da linguagem, dos costumes, da  história e da têmpera de um povo, de um único povo. Um número expressivo  de obras para exaltar “tão somente” a cultura de seu povo, de onde e  para onde ela existe.</p>
<p>Ali, em cada uma daquelas canções que chegam aos ouvidos do público, se  resume uma história que começou há muito tempo e que tem suas raízes já  quase imemoriáveis.</p>
<p>Nas caixas de som empilhadas em frente ao palco, retumba o primeiro <em>sol menor</em>6 de mais uma daquelas canções, silenciando o mais cantante dos grilos que sob a lona incessantemente cantarolavam&#8230;</p>
<p><strong>A herança de Jose Hernandes</strong></p>
<p>Música  de terra-a-dentro, fiel expressão de um povo. É para ela que se esticam  lonas, se erguem palcos e se enfileiram cadeiras. Tudo para comungar  entre gente da mesma estirpe aquilo que restou das origens da tal terra  d’onde pisam: a dita terra gaúcha. Afora o chão que permanece o mesmo,  inerente às transformações culturais do tempo, talvez apenas a música  faça valer a alcunha gaúcha, na verdade de sua expressão.</p>
<p>O vocábulo gaucho surgiu de uma adaptação espanhola-jesuítica da expressão huachu,  dos índios quechua, que remete a vagabundo. Aqueles habitantes da  pampa, nos idos de mil oitocentos e tantos&#8230; Aqueles mesmos andarilhos,  sem perspectiva, que viviam às custas de saques ou de uma ou outra <em>changa</em>7 semanal. Estes eram os que levavam a pejorativa alcunha que hoje ostentamos com tamanha solenidade: “Ah, eu sou gaúcho”.</p>
<p>Ainda assim, a maior obra literária sobre o termo gaucho (e o estereótipo que o termo remonta) traz o lado humano deste espécime que descendeu nossa ascendência. El Gaucho Martin Fierro, escrito por Jose Hernandes na década de setenta do século XIX, justifica as atitudes do gaucho:  Saqueava por precisar sobreviver, bebia e matava para afogar as mágoas  da exclusão social, herdada do instável período político na região do  Rio da Prata. Por tanto, lhe sobravam motivos para encostar a guitarra  ao peito e desmanchar a alma numa milonga – fosse para alentar os tempos  de felicidade, anteriores à vida andarilha, fosse para chorar as penas  da sina de andar desgarrado e desterrado.</p>
<blockquote><p><em>&#8220;Aquí me pongo a cantar</em><br />
<em>al compás de la vigüela,</em><br />
<em>que el hombre que lo desvela</em><br />
<em>una pena estraordinaria,</em><br />
<em>como la ave solitaria</em><br />
<em>con el cantar se consuela.”</em>8</p></blockquote>
<p>Daqueles  tempos idos de mil oitocentos e tantos, pouca coisa se manteve igual.  Foi-se a colonização, veio a república, foram-se os imperialismos,  vieram as ditaduras, voltaram as repúblicas; Salvo raras exceções, as  pendengas não se resolvem mais no fio do facão; E para aqueles que ainda  ‘insistem’ na vida andarilha, não resta muito campo e nenhum cavalo  selvagem para jogar um <em>pealo</em>9 e domar a seu modo.</p>
<p>Resta  sim a saudade; persiste a nostalgia; ainda se choram as tristezas,  comemoram-se as alegrias. E no meio de tudo isso, da mesma forma se faz  presente aquela madeira de pinho devidamente montada, com seis cordas  esticadas em sua extensão, esperando que algum gaucho dos  tempos modernos venha chorar suas penas ou suas alegrias agarrando seu  braço moreno. Tudo cambia, a guitarra ali persiste, como que assistindo  de camarote as transformações do homem.</p>
<p>A  música persiste: é ela a manifestação ímpar do indivíduo que habitou  este chão gaúcho, e é ela que ainda mantém seu motivo de existir  intacto. Para acalentar os balanceios da vida, é pra isso que ela  existe. E é exatamente para isso que lonas, cadeiras, o palco e a  platéia estavam lá, naquela noite de primavera.</p>
<p>&#8212;</p>
<p><em><strong>“Há três pinhos ressongando nesta milonga ponteada”</strong></em></p>
<p>Logo depois da contagem de “três, quatro!”,  o movimento é mecânico: três dedos polegares – de arredondadas e  rígidas unhas compridas – escorregam no mesmo ritmo em três cordas de  nylon encapado com aço. O som das cordas ressoa nas paredes internas de  cada uma das três guitarras acústicas, vibra no rastilho que capta o som  e joga para as caixas de som. De pronto, o <em>bordoneio</em>10 da milonga já invade cada um daqueles milhares de ouvidos com outro retumbante sol menor.</p>
<p>Instantaneamente,  indicador, médio e anular fazem o devido contraponto a aquele gordo  bordão encapado de aço, enroscando suas também compridas unhas nas finas  <em>primas</em>11 de  nylon da guitarra. Encaminhava-se ali a milonga: o ritmo marcado,  embalado, cria o clima de seriedade, enfatizado nos bordões.</p>
<p>Eis  que entra em cena o cantante. Até então recluso, agachado ao lado de  algum dos guitarreiros, ele caminha firme os dois passos que o  distanciam do microfone, o semblante tão sério quanto o sol menor da  milonga que pulsava. Sua missão é até mais importante que a dos  guitarreiros: levar em forma de <em>payada</em>12 o  sentimento que há muito tempo nasceu na cabeça do compositor e foi  parar ali, no palco de um festival. A derradeira noite, o auge daquela  composição passa por aquela garganta.</p>
<p>Cenho franzido, queixo contra o peito, olhos fechados. As guitarras dão a deixa,  o coração corcoveia. De um golpe a cabeça se ergue e o foco de luz  esquenta a face até então protegida pelas largas abas do sombreiro. Toma  o último fôlego e a voz de baritenor é quem ecoa e retumba por toda a lona de circo (deixando-se vazar em um ou outro ponto da lona, que virou alimento de rato).</p>
<p>Todos os olhos daquelas milhares de pessoas que ocupam as cadeiras,  embaixo da lona e em frente ao palco, se voltam ao cantor. Cada uma  daquelas miradas lhe transmite um misto de nervosismo e de orgulho. Mas  são apenas quatro pares de vistaços que lhe preocupam de verdade. Quatro  pares de olhos – e, principalmente, de ouvidos – muito atentos, que  estão ali apenas e tão somente para avaliar cada fragmento de ação que  aqueles músicos executem.</p>
<p>Ao lembrar disso, a voz falqueja e o dedo que martelava o bordão dá uma leve tremida.</p>
<p><strong>O frio julgamento</strong></p>
<p>São  inúmeros os festivais musicais regionalistas no interior do Rio Grande  do Sul. Cada um destes festivais recebe inscrições de, em média, 500  músicas candidatas a subirem ao palco. Dentre estas – em geral – pouco  mais de duas dezenas tem a chance de irem ao tablado principal. Deste  número, apenas as que melhor foram apresentadas ao vivo se credenciam  para disputar a final e fazer parte do disco do festival. E entre todas  elas, apenas uma sairá vencedora.</p>
<p>Cada  um destes festivais passa pelo crivo de quatro, talvez cinco pessoas. É  esse punhado de gente, com seus pares de ouvidos afiados, que tem a  honrosa missão de tirar juízo de valor de cada uma daquelas  idiossincráticas músicas.</p>
<p>Esse seleto grupo de pessoas, notórios experts  da cultura musical gaúcha, minuciosamente convidado pela organização do  evento para julgar as músicas é que decide quem é melhor. Evidentemente  que o seleto grupo deve ser dotado de uma aura musical proporcional a  uma dádiva divina, afinal, foram designados a por em júri  centenas de composições inéditas, cada uma delas levando em suas notas  uma carga imensurável de sentimento depositado pelo autor.</p>
<p>O processo de julgamento – ou análise, como queira – começa com a  triagem das músicas que adentrarão ao festival. O seleto grupo se reúne  durante dois dias para ouvir e apreciar detalhada e subjetivamente cada  uma daquelas quinhentas composições. Três dias. Quinhentas composições. O  cálculo que derruba por terra a seriedade do processo de triagem é um  tanto simples: quinhentas músicas, com uma média de 4 minutos, totalizam  2000 minutos, ou 33,3 horas. Em dois dias, seria algo como 16 horas e  meia de análise musical por dia, para os jurados.</p>
<p>Desta primeira e meticulosa peneira, sai a lista das vinte e poucas  composições que serão apresentadas debaixo da lona, para os milhares nas  cadeiras. O compositor de cada uma das merecedoras já recebe, pelo  sucesso no processo de triagem, uma importância financeira – bem  importante, por sinal – para ajudar nos custos da apresentação da  música. E os jurados, estes já receberão dos compositores&#8230; o primeiro  “muito obrigado”, é claro.</p>
<p>Os jurados, seguindo seu trabalho, opinam as 12 melhores músicas que  passarão à final e serão gravadas no disco do festival. Para os  compositores, mais ajuda de custo. Logo, seguem-se mais significativos  agradecimentos ao estimado júri. Tudo dentro e apenas na cordialidade.</p>
<p>Dentre essas tantas músicas, lá estava aquela milonga, tocada em três  guitarras e um acordeom, e que naquele dia subia ao palco. As guitarras  marcando o compasso para o cantador não se perder no ritmo, que quase se  esvaiu quando um dos jurados encontrou os olhos do canário. Por um nada que todo o trabalho não termina ali mesmo, naquela noite.</p>
<p>Ficam os questionamentos: quais os critérios utilizados para um  julgamento artístico, algo intensamente particular e da mesma forma  subjetivo? ‘Claro que pesam a qualidade poética da poesia, a estrutura  da harmonia, a riquesa da melodia. Mas pesa também a simpatia daquele  intérprete, que sempre me cumprimenta nos festivais; conta também a  gentileza daquele guitarreiro que me emprestou a alça naquela feita que  eu precise; pode também vir a pesar aquela rusga que tive com o outro  guitarreiro, num festival há dez anos. Afinal, todo mundo é parceiro’.</p>
<p>Justificável.  O mundo dos festivais não é o mais abrangente dos mundos: a população  mais fixa (embora sempre flutuante) gira em torno de uns 300 artistas,  entre poetas, compositores, arranjadores, melodistas, guitarreiros, canários  (cantores), gaiteiros, bateristas, percussionistas, baixistas,  tecladistas, flautistas, violinistas e um tocador de serrote.  Considerando que acontecem em torno de quarenta festivais durante o ano  todo, a rotatividade não é das mais altas. ‘Hoje eu estou aqui, sentado,  olhando, ouvindo e dando nota pros caras ali no palco. Semana que vem, eu posso estar no palco e eles aqui, me julgando’.</p>
<p>E assim segue girando o mundo dos festivais, abastecido de ajudas de  custo, agradecimentos, jurados e julgados. Mas o espetáculo, ora essa,  não é prejudicado, afinal, todo mundo é parceiro.</p>
<p>Mesmo sabendo de tudo isso, o canário daquela noite de primavera no interior do estado não consegue evitar a falquejada da voz. E o seu parceiro do júri abaixa a cabeça e risca qualquer coisa na planilha.</p>
<p><em><strong>“Chorona”</strong></em></p>
<p>Por sorte do cantor – e para o alívio do compositor, que de longe  acompanhava a apresentação pelo rádio –, se findava o primeiro verso. Um  respiro para o que cantava, um intervalo para as guitarras, uma  eternidade para aquele que ainda esperava sua vez: o gaiteiro.</p>
<p>Ninguém explica com precisão o porquê de o acordeom – para os íntimos,  cordeona &#8211; causar tanto encantamento em quem o ouve. Para escutar o  melodioso resmungo do velho órgão sagrado das missas gaúchas, dizem, até  o silêncio se cala.</p>
<p>Agarrado no acordeom, aquele era o momento do gaiteiro reerguer a música. No choro, no resmungo, no feitiço do acordeom.</p>
<p>Ele não se recordava desde quando mantinha relação com a cordeona.  ‘Desde que me conheço por gente ela tava ali, me mirando. Quando eu já  tinha tamanho suficiente pra agarrar ela firme, no colo, dei um jeito de  aprender, olhando os mais velhos tocarem’. Perfeitamente branca, fole  vermelho recém trocado, botões e teclas em madre-pérola, um brasão de  família e um letreiro: “STANELL”. ‘Tá faltando uma letra, mas é  Stanelli, italiana, genuína; deve ter sido herança do vô’.</p>
<p>Na hora em que a dita cordeona é golpeada pelas calejadas mãos do  gaiteiro, é como se outra música se iniciasse. O público se ajeita na  cadeira e ovaciona, convencido; o jurado que há pouco fazia sua  anotação, levanta uma das pestanas dos olhos e leva a caneta à boca; até  mesmo o vendedor de crepe deixa respingar massa para fora da forma, tenteando mais uma rápida olhadela pro palco.</p>
<p>Ao fim do floreio, quaisquer percepções até ali feitas sobre a música  já haviam sido, de uma forma ou de outra, alterada. Em algum rincão  longe do festival, ouvido colado ao rádio de pilha, respirava aliviado e  afundava tranquilo na poltrona o compositor da música.</p>
<p><em><strong>“É a minha alma na mão dos outros”</strong></em></p>
<p>Aquele senhor nunca tivera a melhor voz pra cantar. Até mesmo sua mãe  deixava de lado a cegueira maternal e admitia o fato: o guri não servia  pra cantor. Mas desde novo ouvia pelo rádio – <em>doble chapa</em>13 que  era – as milongas uruguaias que cruzavam a fronteira. Delas veio o  gosto pela guitarra, que não demorou a cruzar seu caminho. Fez-se  guitarreiro ‘porque Deus lhe deu destreza’, mas garante que se fez poeta  porque sabia falar de seu mundo. A ele parecia natural falar da lida  que diariamente se ocupava com altivez; tinha facilidade para descrever  as serestas dos fins de semana de folga; podia versejar amores e penas  como quem conta um causo, relatava uma tropeada com a experiência de  quem de fato cruzou o estado no rastro dos bois. Assim, se fez  compositor.</p>
<p>‘Sempre que posso, mostro minha música para esses guris que tocam e  cantam mais que eu. Eles levam minha música adiante, eles defendem ela  no palco, como se fosse deles. Na verdade, eu estou junto com eles. É a  minha alma tocando, é a minha alma na mão dos outros’</p>
<p>Apenas o grave ruído do rádio de pilha quebrava o silêncio da casa.  Desde que a música começara, aquele senhor apenas respirava. A bomba do  mate ainda tocava-lhe o lábio, mas há alguns minutos não era chupada. Lá  longe, debaixo da lona, mais um verso é cantado, os últimos acordes são  tocados, levanta a ovação do público, vem a consagração, o fim.</p>
<p>O  rádio de pilha seguia recebendo ondas de amplitude modulada e  empurrando som de seu auto-falante estourado, mas aquele senhor na  poltrona já nem fazia conta. Olhos marejados, sorveu o fim do mate,  recostou a cuia na <em>cambona</em>14 de ferro e foi pra cama tranquilo, com a sensação de que sua alma estava ali, de volta. E revigorada.</p>
<p><strong>Quem ganha e quem perde</strong></p>
<p>Todas as composições da noite já tiveram seu momento. Os jurados já se  reuniram, já deram seu veredicto, sobra agora o momento derradeiro do  anúncio do resultado. O silêncio, desta vez nervoso, novamente impera.</p>
<p>- E aí, será que hoje vai?</p>
<p>- Não sei, Che. O canário tremeu quando não podia.</p>
<p>- Que nada, pensamento positivo. Tamo junto.</p>
<p>A  expectativa é justificável. Cada músico, cada ouvinte, cada um com seus  argumentos tenta adivinhar a grande premiada da noite. Aquela que mais  apeteceu aos jurados&#8230; A melhor, o que quer que o termo signifique.</p>
<p>E a grande vencedora da noite é&#8230;</p>
<p>- É a milonga!</p>
<p>- Tem que ser!</p>
<p>Não  foi. Os três guitarreiros, o cantor e o acordeonista nem ao menos  ouviram o nome da vencedora, apenas sabiam que não era “a milonga”. Um  abre um sorriso amarelado, outros dois se abraçam. Justificativas e  desculpas jorram de todos os lados.</p>
<p>- Desculpa, guris. Errei, errei. Dava pra ter ganhado.</p>
<p>- Que nada, Che. Semana que vem tem mais, te acalma.</p>
<p>Felicidade  de quem ganha, lamento de quem fica pra trás. O sentimento de dever não  cumprido certamente marca mais que o sentimento de êxito.</p>
<p>Talvez  a música vencedora tenha sido melhor arranjada – ou talvez o cantor  fosse muito amigo dos jurados; talvez a poesia fosse boa, talvez o poeta  fosse hospitaleiro demais com os jurados.</p>
<p>- É, aqui no sul é assim.</p>
<p>Embora  o mundo dos festivais seja o meio de sustento dessas poucas centenas de  músicos do Rio Grande do Sul, o clima não é de competição. Se ganha, se  perde, mas a vitória é sempre coletiva. Comungando o mesmo objetivo,  são parceiros. E parceiros das mesmas ânsias repartem flores e espinhos.</p>
<p>Quem ganha, acima de tudo, é o folclore, a cultura, a música. O povo.</p>
<p>&#8212;</p>
<p style="text-align:left;"><em>1 Tordilho: pelagem branca do cavalo.</em><br />
<em> 2 Guitarra Acústica: violão; apenas o Brasil chama a guitarra acústica de violão.</em><br />
<em> 3 Milonga: ritmo musical originário da Espanha, popularizado no Uruguai, na Argentina e no Rio Grande do Sul.</em><br />
<em> 4 Negacear: atrair, provocar.</em><br />
<em> 5 Arpejo:  a execução sucessiva das notas de um acorde. Enquanto que num acorde as  notas são tocadas simultaneamente, no arpejo essas mesmas notas são  tocadas uma a uma.</em><br />
<em> 6 Sol menor: acorde musical.</em><br />
<em> 7 Changa: serviço, bico.</em><br />
<em> 8 Versos inicias de “El Gaucho Martin Fierro” &#8211; Aqui me ponho a cantar/ ao compasso da viola,/ que o ser a quem desconsola/ uma dor extraordinária,/ como a ave solitária,/ cantando é que se consola.</em><br />
<em> 9 Pealo: ato de laçar, a pé, um boi ou cavalo.</em><br />
<em> 10 Bordoneio: técnica musical que marca o ritmo da música nas cordas graves – bordões – do violão.</em><br />
<em> 11 Primas: definição latina para as cordas mais agudas do violão.</em><br />
<em> 12 Payar: ato de cantar versos com o acompanhamento do violão</em><br />
<em> 13 Doble Chapa: quem nasce na fronteira seca entre Uruguai e Brasil e, portanto, tem dupla-cidadania.</em><br />
<em> 14 Cambona: chaleira.</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/maladegarupa.wordpress.com/140/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/maladegarupa.wordpress.com/140/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/maladegarupa.wordpress.com/140/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/maladegarupa.wordpress.com/140/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/maladegarupa.wordpress.com/140/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/maladegarupa.wordpress.com/140/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/maladegarupa.wordpress.com/140/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/maladegarupa.wordpress.com/140/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/maladegarupa.wordpress.com/140/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/maladegarupa.wordpress.com/140/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/maladegarupa.wordpress.com/140/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/maladegarupa.wordpress.com/140/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/maladegarupa.wordpress.com/140/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/maladegarupa.wordpress.com/140/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=maladegarupa.wordpress.com&amp;blog=13441975&amp;post=140&amp;subd=maladegarupa&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Todo dia, vidros</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Dec 2010 23:47:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Medeiros de Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[texto]]></category>
		<category><![CDATA[perfil]]></category>
		<category><![CDATA[vidraceiro]]></category>
		<category><![CDATA[vidros]]></category>

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		<description><![CDATA[Todo dia, às seis e trinta e cinco da manhã, Cândido Querubim Bandeira desperta. Forra o estômago com algum pão e empurra uns goles de café – para ajudar no processo do pão – ainda antes que o sol adentre o quarto por sua janela. Cândido beija (todo dia) Maria, sua esposa, e sai de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=maladegarupa.wordpress.com&amp;blog=13441975&amp;post=137&amp;subd=maladegarupa&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><br />
</strong></p>
<p>Todo dia, às seis e trinta e cinco da manhã, Cândido Querubim Bandeira desperta. Forra o estômago com algum pão e empurra uns goles de café – para ajudar no processo do pão – ainda antes que o sol adentre o quarto por sua janela. Cândido beija (todo dia) Maria, sua esposa, e sai de casa rumo ao trabalho – não sem antes conferir pela janela da sala “como está o dia”.</p>
<p><span id="more-137"></span></p>
<p>Quando sai de casa, Cândido vira Tião (desde que se recorda vivente, Tião é seu nome, Cândido seu documento). Tião, dos cabelos tordilhos e da barba rala, sobe num ônibus no bairro Santa Marta, noroeste de Santa Maria, para descer na zona leste da cidade, no militar-universitário bairro de Camobi. A estrada – por comprida que é – logo cansa os músculos e a paciência de Tião, ambos já passando os 57 anos. Já farto da redundante e rotineira paisagem que corre nas janelas do ônibus desde sua casa até seu serviço, Tião dá outro fim ao vidro da janela da lotação: cerra os olhos, abaixa o boné e nele recosta a cabeça. “Naquela hora da manhã, é macio feito um travesseiro” justifica.</p>
<p>E ali segue em seu momentâneo e quase fugaz repouso. Uniforme da empresa, como de costume; boné de algum super-mercado qualquer, também como se fosse de costume. A cara levemente avermelhada evidencia a descendência européia, ainda que remota. Os vincos evidentes na face &#8211; marcas do tempo, ônus da experiência – recobrem um senhor de fala mansa, um pouco arranhada, por vezes inaudível, mas de grande humor e coração tamanho.</p>
<p>Como que por instinto, Tião abre os olhos e se acomoda na cadeira segundos antes do ônibus alcançar sua parada. Todo dia Tião se lembra de puxar a cordinha na hora certa, no lugar exato. De pronto ele deixa pra trás o vidro do ônibus (embaçado de sua respiração quente) para se dedicar – veja só – a outros vidros. Todo dia, Tião mede, corta, recorta, modela e monta vidros – com a paixão de quem marca um gol, faz um show ou advoga. “É paixão mesmo”. Já passaram 25 anos entre lâminas de vidro que vêm e vão, entre algumas que viram belos espelhos e outras que se acabam em cacos no chão.</p>
<p>Tião chega à vidraçaria com certa antecedência, pra aproveitar o mate que o espera tal uma máquina de bater cartão. O mate que Tião não toma com Maria, sua esposa, toma na vidraçaria. Com um quarto de século de convivência, a tão falada instituição Família se desdobra em duas: uma em casa, outra na vidraçaria. Sem delongas, quase mecanicamente, Tião recosta a cuia, veste as luvas e se toca a pensar – só e exclusivamente – naquelas lâminas de vidro de espessuras e características diferentes, que em breve serão janelas, talvez espelhos. Pensando, medindo, cortando, recortando, modelando e montando vidros, todo dia. Há 25 anos.</p>
<p>Antes que os vidros adentrassem a vida de Tião, houve apenas uma pequena experiência como trabalhador de supermercado. Insignificante perto dos vidros, ele assegura. Foram o irmão mais velho – vidraceiro desde os 15 – e a iminência da vida de desempregado que o trouxeram para a vidraçaria. Era a oportunidade que surgira no momento, e que foi devidamente agarrada. Além de razoavelmente remunerada (considerando Tião frágil como um vidro cru na arte da vidraçaria), Tião poderia usufruir de um “curso de especialização da mão-de-obra” quase que por nepotismo, com seu irmão.</p>
<p>Não demorou a que Tião se firmasse no emprego. Convenhamos que talvez o serviço poucas qualidades exigisse, mas Tião as cumpria com decência. Uma delas em especial: Tião não tem medo de altura. Quando lhe toca subir andaimes, escadarias ou edifícios para cumprir um serviço, o faz sem titubear. E isso há de ter sido um diferencial na manutenção dele por tanto tempo no emprego.</p>
<p>Embora não pareça, também é preciso coragem para ser vidraceiro. Evidentemente menos perigosa que inúmeras outras profissões, Tião garante que é uma profissão com um considerável risco. E para comprovar tal afirmação só leva o tempo de arregaçar as mangas do uniforme para mostrar as cicatrizes causadas por vidros quebrados. Eram duas ou três, “de mais de dez anos”. Ainda assim, tão vivas estavam as marcas que não sobrava margem para questionar o risco da profissão de Tião.</p>
<p>25 anos assistindo vidros quebrarem, Tião não se assusta mais. Já perdeu as contas de quantas vezes foi ao pronto socorro para estancar alguma veia – sua ou de algum companheiro. De seu prazeroso emprego, essa é a única parte que ele não se anima em recordar.</p>
<p>Tião se orgulha das proezas que fez em sua vida de vidraceiro. “Pra quem não conhece pode até parecer chato, mas a gente faz cada coisa&#8230; loucuragem!”. A história do elevador ele ainda se excita ao contar – ainda que já se passem 10 anos do feito. Diz ele que haviam lhe incumbido de entregar uma superfície de vidro para uma mesa, no sexto andar de um edifício. O problema surgiu quando o vidro – bastante frágil, embora pesado – não coube dentro do elevador do prédio. Naquele momento, outra virtude de Tião se somou à já citada coragem: a criatividade. Tião – auxiliado pelo porteiro do prédio – subiu em cima do elevador, pelo lado de fora da cápsula (!) e subiu com o vidro, apoiando-se nos cabos de aço que sobem e descem o elevador. “Era o jeito, a gente tinha que subir o vidro de algum jeito” comenta sem esconder o sorriso.</p>
<p>Todo dia – há 25 anos – cortando, moldando e fazendo tudo o que se pode fazer com um vidro, Tião não intenciona subir de posto dentro da empresa. Com o peso da experiência angariada até aqui, ele é – naturalmente – o mestre dos mais novos na empresa. Suas luvas, seu uniforme, sua pele e até seu vocabulário são os mais puídos dentre os vidraceiros. “Eu leciono pra esses rapazes o que acumulei na labuta” frisa.</p>
<p>Medir, cortar, recortar, modelar, montar, todo dia. Vidros, todo-santo-dia. De onde, diabos!, brota o prazer? Ora, da simplicidade de Tião, da simplicidade da vida: “Vidro é uma paixão porque vidro coloca bóia na mesa da minha casa”. Quando perguntado se ele se orgulha da profissão: “orgulho”; se acha importante pra sociedade:  “acho”. Simples assim, monossilábico assim. Mas puro como um diamante que corta um vidro.</p>
<p>O vidro é a linha tênue que separa o dentro do fora, a tempestade da calmaria, o calor do frio, o barulhento do silencioso. É nele que confortamos a cabeça, é por ele que decidimos entre levar ou não levar um guarda-chuva. Mas para Tião, acima de tudo, ele é o que lhe mantém vivo.</p>
<p>Perto das seis da tarde, Tião mira (pelo vidro de) seu relógio, tira as luvas, sorve outro mate e se encaminha para o bairro Santa Marta. Batendo a cabeça no vidro do ônibus, com o tropeçar causado pelas esburacadas estradas, Tião vai sonhando com sua pacata vida – protegida permanentemente por uma redoma de vidro.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/maladegarupa.wordpress.com/137/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/maladegarupa.wordpress.com/137/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/maladegarupa.wordpress.com/137/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/maladegarupa.wordpress.com/137/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/maladegarupa.wordpress.com/137/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/maladegarupa.wordpress.com/137/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/maladegarupa.wordpress.com/137/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/maladegarupa.wordpress.com/137/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/maladegarupa.wordpress.com/137/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/maladegarupa.wordpress.com/137/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/maladegarupa.wordpress.com/137/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/maladegarupa.wordpress.com/137/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/maladegarupa.wordpress.com/137/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/maladegarupa.wordpress.com/137/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=maladegarupa.wordpress.com&amp;blog=13441975&amp;post=137&amp;subd=maladegarupa&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>ENTREVISTA: Luiz Marenco</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Aug 2010 04:23:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Medeiros de Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[vídeo]]></category>

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		<description><![CDATA[20 anos, 18 discos, 2 DVDs. E uma história que o coloca junto aos maiores expoentes da secular cultura gaucha. Nascido a 22 de dezembro de 64, começou a se interessar pela música aos 8 anos, quando já dedilhava milongas num violãozinho modesto. Marenco expressa a voz do gaúcho com autoridade de quem cresceu bebendo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=maladegarupa.wordpress.com&amp;blog=13441975&amp;post=125&amp;subd=maladegarupa&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>20 anos, 18 discos, 2 DVDs. E uma história que o coloca junto aos maiores expoentes da secular cultura gaucha. Nascido a 22 de dezembro de 64, começou a se interessar    pela música aos 8 anos, quando já dedilhava milongas num violãozinho modesto. Marenco expressa a voz do gaúcho com autoridade de quem cresceu bebendo nos olhos tudo que o campo lhe trouxe.  Se a música regional do Rio Grande do Sul segue sonando nos computadores e nos rádios de pilha mundo à fora, um dos culpados é Luiz Marenco.</em></p>
<p><em><a href="http://maladegarupa.files.wordpress.com/2010/08/luizmarencomarenco.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-122" title="Luiz Marenco" src="http://maladegarupa.files.wordpress.com/2010/08/luizmarencomarenco.jpg?w=247&#038;h=300" alt="" width="247" height="300" /></a><span id="more-125"></span><br />
</em></p>
<p><strong>Marenco, 20 anos de carreira, e ainda enchendo as casas de show, lotando todos os lugares onde tu tocas. Como tu explicas isso: duas décadas de carreira, duas décadas de sucesso?</strong></p>
<p>Eu só tenho a agradecer ao trabalho que os companheiros que tocam comigo vêm fazendo já há todos esses anos. Acredito também que seja desde o começo&#8230; Desde 1989 – final de 1989 – quando eu comecei a cantar, eu sempre acreditei neste sonho. Este era um caminho que eu queria percorrer, que eu queria seguir. Eu pensava sempre em ter a oportunidade de mostrar a minha música, de mostrar o que eu gosto de cantar, de mostras as verdades que eu entendo por verdade; cantar a gente aqui do meu Estado, cantar a história, a terra, cantar o universo do Rio Grande do Sul, o universo do gaúcho. Com o tempo a gente foi mostrando o trabalho, conseguiu espaço. E hoje estamos aí, com o crédito dessa juventude maravilhosa que sempre está presente conosco, pedindo música, cantando com a gente&#8230; Hoje foi uma noite maravilhosa, e – como tu falaste &#8211; cheia de gente. Pra o nosso interior isso faz muito bem, faz muito bem&#8230;</p>
<p><strong>Pra ti deve fazer mais bem ainda, porque toda essa nova leva de artistas gaúchos lembra Luiz Marenco como um dos referenciais da música gaúcha.</strong></p>
<p>Eu fico contente porque tudo aquilo que tu <em>sonhou</em> em fazer, hoje, está sendo compreendido e correspondido, as pessoas vindo, cantando&#8230; Muito disso deve-se ao trabalho que a imprensa hoje faz com a música gaúcha. Porque quando eu comecei a cantar não existiam jornais abordando só assunto cultural do rio grande do sul; não existiam rádios com a programação de 24 horas de música gaúcha; não existia o que existe hoje de programas de televisão&#8230; era bem mais difícil. A imprensa veio andando junto, acredito que ela tenha uma importância muito grande na difusão – porque quanto mais é mostrada a música e a cultura, mais ela é conhecida. Hoje, <em>tudo que é </em>cidade tem quatro ou cinco programas de rádio. A imprensa tem grande parte nesse crescimento.</p>
<p><strong>Quando tu surgiste, o contexto era complicado. Tu vieste como uma continuidade daqueles esteios que existiam antes como o Jayme [Caetano Braun] e o Noel [Guarany]. Em algum momento pesou em ti a responsabilidade de tocar adiante toda essa cultura secular?</strong></p>
<p>Não, não, nunca pesou. Eu tenho eles até hoje como referenciais pra minha música. Depois, obviamente, eu fui conhecendo Atahualpa Yupanqui &#8211; que é um nome do folclore argentino, Osíris Rodrigues Castillos – poeta uruguaio que já faleceu – o Zitarrosa&#8230; Nunca me pesou tanto. Sempre me orgulhei de cantar esse tipo de música que eles cantavam naqueles tempos.</p>
<p>No tempo do Noel não existia o que existe hoje. Hoje é bem mais fácil tu mostrar teu trabalho, como eu falava agora, pela imprensa. No tempo do Noel não existia isso. Não pesa&#8230; Porque eu tenho essa verdade! Pra mim isso é uma verdade, e eu vou cantar até o dia em que Deus me levar pra outro plano. É uma coisa que eu faço porque gosto, aquilo que eu amo fazer é cantar. E canto só o que eu gosto, sempre me preocupei em cantar só o que eu gosto, porque aí eu vou estar cantando e mostrando pras pessoas que eu estou cantando com o coração, com a alma.</p>
<div id="attachment_123" class="wp-caption aligncenter" style="width: 270px"><a href="http://maladegarupa.files.wordpress.com/2010/08/marenco-e-osiris.jpg"><img class="size-full wp-image-123" title="Marenco e Osíris" src="http://maladegarupa.files.wordpress.com/2010/08/marenco-e-osiris.jpg?w=600" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Marenco e Osíris, em Montevideo</p></div>
<p><strong>Tu citaste Atahualpa, Osíris, Zitarrosa. Ainda existem pessoas que não conseguem estabelecer a ligação que existe entre as culturas gaúcha, uruguaia e argentina. Te preocupas a falta de reconhecimento às influências do outro lado da fronteira?</strong></p>
<p>Isso com o tempo vai ser mais difundido. Com o tempo as pessoas vão ter mais oportunidades, os discos vão vir mais de lá pra cá, os livros&#8230; É como a música daqui, ela demorou um tempo pra ser conhecida, pra ser difundida. Com o tempo, vai chegando. A juventude tem essa proximidade, ela procura. Só que não tem aqui, numa loja, numa livraria, numa casa de discos não se encontra o disco do Atahualpa, um livro do Osíris&#8230; é difícil de encontrar. Mas vai chegar.</p>
<p><strong>Dá pra considerar que tu sucedeste o Noel e o Jayme. Se é que tu pensas em sucessão, dessa nova leva de artistas, quem é que sucederá o Marenco?</strong></p>
<p>Eles têm o lugar deles, são os maestros, como sempre digo. Tomara que, no dia em que eu me for, eu tenha deixado algo parecido com o que eles fizeram&#8230; porque eles fizeram muito! Muito, muito. Muita coisa fizeram pela cultura do Rio Grande do Sul e certamente serão inesquecíveis. O trabalho deles tá imortalizado nos discos do Noel, nos livros do Jayme&#8230; Tomara que um dia alguém lembre que havia um gaúcho velho que cantava com amor e com vontade.</p>
<p><strong>Em algum momento passou pela tua cabeça que a música regional pudesse minguar e se esvair no meio das culturas massivas que nos são empurradas?</strong></p>
<p>Não, é muito difícil. Ainda mais com a força que adquiriu a música. Agora mesmo, há vinte dias eu estava cantando no Mato Grosso do Sul &#8211; Aquidauana, Ponta Porã, Naviraí&#8230; Eu já vou desde 1994 cantar em Mato Grosso do Sul. Já cantei em Tocantins, Goiás, Brasília, São Paulo, Rio&#8230; Santa Catarina e Paraná a gente vai todo mês – agora na semana farroupilha a gente vai pra lá. <em>Pra ti ver</em> que a música da gente adquiriu uma força que ela anda por esse país inteiro. Ela nunca vai ser uma música como é alguma música da Ivete Sangalo, um pagode, um sertanejo. Até porque a nossa linguagem é muito própria; a gente não pode mudar a maneira de falar de uma cultura porque existem palavras muito próprias dessa cultura. Me parece quase um dialeto. E isso se torna difícil das pessoas entenderem, como também é difícil de compreender alguma música do Almir Sater. Essas coisas são muito próprias do lugar, não se deve mudar; acredito que por isso elas não se popularizam tanto como esse tanto de lixo que a gente vê na televisão. Mas o que importa é que a música do Rio Grande tá crescendo cada vez mais.</p>
<p><strong>Se a música gaúcha cresce, isso se deve aos festivais. Qual tua percepção sobre os festivais, e por que te afastaste deles?</strong></p>
<p>Eu comecei a cantar nos festivais. É uma vitrine importantíssima. Tomara que nunca terminem os festivais, porque dali nascem cantores, compositores, músicos que são a renovação. Eles que vão seguir cantando e fazendo a obra do Rio Grande do Sul. O motivo de eu não ir tanto a festivais é porque a gente tá sempre viajando pra fazer apresentações&#8230; Esse ano eu participei de dois&#8230; Não! Este ano participei só de um festival! O máximo que eu tenho conseguido é três por ano. Sobra pouco tempo. Quando sobra um fim de semana, um ou dois dias que sobraram, a gente quer mais é ficar com a esposa e com os filhos, inventar algum passeio&#8230; Mas sempre vou participar. É importante pra mim, é importante pra quem tá começando, pra quem já tá há quarenta anos cantando&#8230; Os festivais são muito importantes. Santa Maria é a cidade da Tertúlia, um dos maiores festivais do Estado, tomara que retorne! Eu cheguei a participar, comecei a participar na décima tertúlia e por muitos anos segui cantando nela. Tomara que retorne, pois é sempre um espaço pra essa gurizada que tá com sede de subir no palco e mostrar seu trabalho.</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://maladegarupa.wordpress.com/2010/08/30/marenco/"><img src="http://img.youtube.com/vi/eAx3aRHT-3M/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p><strong>Há um tempo atrás houve uma certa polêmica contigo, por dois motivos: Quando o Thedy Correia cantou no teu disco e quando tu cantaste com o Nenhum de Nós. Como tu interpretas esse intercâmbio cultural entre estilos musicais? A música se divide em música boa e música ruim? </strong></p>
<p>Tu deste a minha resposta: só tem dois tipos de música, a ruim e a boa. Era exatamente isso que eu ia falar. Ainda hoje à tarde, durante a passagem de som, nós estávamos conversando sobre isso. Graças a Deus a opinião – pela internet ou de boca em boca a gente acaba sabendo – foi que 70% abonaram, gostaram. Não dá pra se preocupar em fazer da vida só coisas que os outros gostam e deixar de fazer o que se gosta e o que se acha certo. Eu sempre faço o que eu gosto de fazer, e as pessoas tem de compreender o porquê disso. O Thedy é roqueiro, eu da música gaúcha. Talvez ele também deve ter ouvido algo como ‘pô, tu gravou com o Marenco’&#8230; É a mesma coisa. Eu acho que não é mais do que dois cantores que são amigos – e ele adora milonga – que se juntaram pra cantar uma milonga. Eu não vejo problema nisso. É tudo por causa dos rótulos – ele roqueiro, eu gaúcho.</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://maladegarupa.wordpress.com/2010/08/30/marenco/"><img src="http://img.youtube.com/vi/98fiuuhWhIU/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p><strong>Circula na internet o <em>trailer </em>de um documentário sobre a tua carreira. Como foi e quando vem a público esse relato? Quais os outros projetos que tu trabalhas atualmente?</strong></p>
<p>Bah, aquilo foi uma coisa muito bonita que fizeram pra mim. Eu me emocionei quando me entregaram aquilo. Eles estão gravando outra parte agora&#8230; acho que pro ano que vem. É um trabalho muito bonito, feito por uma catarina, a Esther, jornalista (colega tua!). Estou fazendo agora um disco com o Lisandro Amaral, com poemas de Eron Vaz Mattos, que se chamará Estrada Real. Também estou gravando – já gravamos algumas músicas – um disco que se chama Sul, só com letras de Sérgio Carvalho Pereira e músicas minhas – são quatorze músicas, sendo que dez são inéditas.</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://maladegarupa.wordpress.com/2010/08/30/marenco/"><img src="http://img.youtube.com/vi/8u6Kq1G2Ksk/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p><strong>Depois de tanto tempo de estrada, tantas músicas gravadas, consegues citar algum momento da tua carreira que nunca vai sair da tua memória? Alguma música que tem um sentido especial?</strong></p>
<p>Che, quando eu conheci o Jayme. Foi uma coisa que me marcou, eu escutava muito o Jayme&#8230; Quando eu me deparei eu simplesmente estava na casa do Jayme e virando parceiro de música dele. Isso foi uma coisa que me marcou muito. Sei lá! São tantas coisas boas que acontecem&#8230; Tudo é bom, né?! Tudo é maravilhoso, e tomara que aconteçam ainda mais coisas, para que na próxima vez que tu me perguntar eu ainda não saiba te responder!</p>
<div id="attachment_128" class="wp-caption aligncenter" style="width: 270px"><a href="http://maladegarupa.files.wordpress.com/2010/08/marenco-e-jayme1.jpg"><img class="size-full wp-image-128" title="Marenco e Jayme" src="http://maladegarupa.files.wordpress.com/2010/08/marenco-e-jayme1.jpg?w=600" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Luiz Marenco e Jayme Caetano Braun</p></div>
<p>Eu só tenho a agradecer a Deus pela vida que eu tenho, pela minha esposa e meus filhos, pela <em>montoeira</em> de amigos que eu tenho espalhada, que eu fiz com a música. Amigos como Lisandro Amaral, que tá aqui ao nosso lado, um irmão querido que eu tenho. E isso eu consegui com a música. A música me proporcionou isso tudo. Conheci pessoas que me ensinaram muito, com outras a gente se decepciona&#8230; Mas a vida é assim, o ser humano é assim. Eu cometo erros, tu cometes erros&#8230; Mas eu, graças a Deus, só tenho coisas boas pra falar, eu tiro fora da minha cabeça as coisas ruins.</p>
<p>Tem uma música que eu gosto muito que é ‘Das Precisão pra Viver’ – que eu cantei hoje com o Lisandro. É uma música muito antiga, de 1994, do Sérgio Carvalho Pereira, companheiro que me colocou na música. Essa é uma&#8230; ‘Estrelas de Chão’, que também é nossa&#8230; ‘Pra o Meu Consumo’, é uma música que eu gosto muito&#8230; ‘Meu Rancho’&#8230; Eu gosto muito de cantar milonga! ‘De estância, alma e tempo’ que é uma parceria com Eron Vaz Mattos&#8230; Tem tanta coisa boa que me foi dada&#8230; eu só tenho a agradecer, de verdade, pela vida que eu tenho.</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://maladegarupa.wordpress.com/2010/08/30/marenco/"><img src="http://img.youtube.com/vi/E8m9PdDwupM/2.jpg" alt="" /></a></span>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://maladegarupa.wordpress.com/2010/08/30/marenco/"><img src="http://img.youtube.com/vi/r-uazup0W5I/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p><a href="http://maladegarupa.files.wordpress.com/2010/08/marenco1.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-129" title="marenco1" src="http://maladegarupa.files.wordpress.com/2010/08/marenco1.jpg?w=196&#038;h=300" alt="" width="196" height="300" /></a><em> </em></p>
<p><em>Entrevista realizada a 21/08/2010,</em> <em>em Santa Maria</em>.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/maladegarupa.wordpress.com/125/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/maladegarupa.wordpress.com/125/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/maladegarupa.wordpress.com/125/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/maladegarupa.wordpress.com/125/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/maladegarupa.wordpress.com/125/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/maladegarupa.wordpress.com/125/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/maladegarupa.wordpress.com/125/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/maladegarupa.wordpress.com/125/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/maladegarupa.wordpress.com/125/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/maladegarupa.wordpress.com/125/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/maladegarupa.wordpress.com/125/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/maladegarupa.wordpress.com/125/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/maladegarupa.wordpress.com/125/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/maladegarupa.wordpress.com/125/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=maladegarupa.wordpress.com&amp;blog=13441975&amp;post=125&amp;subd=maladegarupa&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Luiz Marenco</media:title>
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			<media:title type="html">Marenco e Osíris</media:title>
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			<media:title type="html">Marenco e Jayme</media:title>
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		<title>Música e Esporte &#8211; Duca Leindecker</title>
		<link>http://maladegarupa.wordpress.com/2010/07/03/musica-e-esporte-duca-leindecker/</link>
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		<pubDate>Sat, 03 Jul 2010 23:25:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Medeiros de Lima</dc:creator>
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		<category><![CDATA[esporte]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[duca leindecker]]></category>
		<category><![CDATA[radar esportivo]]></category>

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		<description><![CDATA[(reportagem veiculada originalmente no Radar Esportivo de 19/06/2010) Essa é a reportagem que resultou da entrevista antes publicada. Texto meu e de Iuri M. (http://callesoriano.wordpress.com/) e edição de Mauricio B. (http://turvallinen.wordpress.com/). Ouça e baixe aqui http://www.4shared.com/audio/bZOkPILL/duca_definitivo.html<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=maladegarupa.wordpress.com&amp;blog=13441975&amp;post=117&amp;subd=maladegarupa&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>(<em>reportagem veiculada originalmente no Radar Esportivo de 19/06/2010)</em></p>
<p>Essa é a reportagem que resultou da entrevista antes publicada. Texto meu e de Iuri M. (http://callesoriano.wordpress.com/) e edição de Mauricio B. (http://turvallinen.wordpress.com/).</p>
<p>Ouça e baixe aqui http://www.4shared.com/audio/bZOkPILL/duca_definitivo.html</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/maladegarupa.wordpress.com/117/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/maladegarupa.wordpress.com/117/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/maladegarupa.wordpress.com/117/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/maladegarupa.wordpress.com/117/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/maladegarupa.wordpress.com/117/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/maladegarupa.wordpress.com/117/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/maladegarupa.wordpress.com/117/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/maladegarupa.wordpress.com/117/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/maladegarupa.wordpress.com/117/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/maladegarupa.wordpress.com/117/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/maladegarupa.wordpress.com/117/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/maladegarupa.wordpress.com/117/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/maladegarupa.wordpress.com/117/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/maladegarupa.wordpress.com/117/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=maladegarupa.wordpress.com&amp;blog=13441975&amp;post=117&amp;subd=maladegarupa&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O ensino dando duro nas coberturas esportivas</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Jul 2010 23:06:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Medeiros de Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[esporte]]></category>
		<category><![CDATA[texto]]></category>
		<category><![CDATA[jornadas esportivas]]></category>
		<category><![CDATA[ufsm]]></category>

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		<description><![CDATA[(publicado inicialmente no site Infocampus http://w3.ufsm.br/infocampus/?p=1352) Todo amante de esportes sabe: uma grande parcela da emoção do espetáculo esportivo fica a cargo da transmissão radiofônica. Quem nunca se emocionou ao ouvir os inflamados discursos dos locutores, comentaristas e repórteres em uma decisão de futebol? Quem não se lembra de algum tradicional jargão que os locutores [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=maladegarupa.wordpress.com&amp;blog=13441975&amp;post=113&amp;subd=maladegarupa&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>(publicado inicialmente no site Infocampus </em>http://w3.ufsm.br/infocampus/?p=1352)</p>
<p>Todo amante de esportes sabe: uma grande parcela da emoção do  espetáculo esportivo fica a cargo da transmissão radiofônica. Quem nunca  se emocionou ao ouvir os inflamados discursos dos locutores,  comentaristas e repórteres em uma decisão de futebol? Quem não se lembra  de algum tradicional jargão que os locutores tornaram folclórico? Indo  um pouco mais longe: quem nunca sonhou em expressar sua emoção para todo  o mundo, nos microfones de alguma rádio?</p>
<p><span id="more-113"></span></p>
<p>Dentre os diversos campos que a profissão jornalística abrange, um  dos mais prazerosos é o meio esportivo. Afinal, o jornalista esportivo  trabalha com o “grande circo” da sociedade, unindo o útil (trabalhar)  com o agradável (trabalhar com esporte). E para os acadêmicos de  jornalismo da UFSM, o caminho para essa profissão já existe: o projeto  de rádio-laboratório Jornada Esportiva Universitária.</p>
<p>O projeto surgiu em maio de 2006, fixado em uma parceria entre a  Rádio Universidade, o Departamento de Comunicação e a Pró-reitoria de  Extensão da UFSM. Em seu intuito, o projeto parecia bastante simples –  embora deveras audacioso: colocar, lado a lado, nas cabines de imprensa e  na beira dos gramados, experientes funcionários da rádio e jovens  estagiários do curso de jornalismo. Com apoio financeiro e docente da  UFSM e apoio técnico da rádio, a ideia foi um sucesso.</p>
<p>A experiência pioneira foi no dia 28 de maio de 2006, quando a  recém-formada equipe fez a cobertura do jogo Internacional-SM e Pelotas,  na fase decisiva da segunda divisão gaúcha. O time de Santa Maria não  atingiu seu objetivo de ascenso à primeira divisão, mas aquele domingo,  definitivamente, estabeleceu mais um marco no rádio esportivo  santa-mariense.</p>
<p>Sendo um projeto de rádio-laboratório, o intuito dos participantes  sempre foi a aprendizagem e o acúmulo de experiência. Nunca passou pela  cabeça dos integrantes do projeto que as transmissões da Rádio  Universidade fariam alguma concorrência às rádios comerciais de Santa  Maria. Mas não foi o que aconteceu: no princípio, a equipe da Rádio  Universidade era vista com maus olhos e tratada com uma boa dose de  desdém e repreensão pelos antigos profissionais do meio. Com o tempo, a  rixa passou, e quem saiu ganhando foram os ouvintes de Santa Maria, com  mais uma alternativa para acompanhar os times da cidade.</p>
<p>Em 2006, foram transmitidos seis jogos do Inter, em Santa Maria, no  octogonal final da Série B. O número inicialmente restrito se deve ao  curto espaço de tempo para preparação e à escassez de recursos. No ano  seguinte, o projeto deslanchou de vez: foram mais 27 coberturas, entre  jogos do Inter de Santa Maria e do Riograndense na Série B do Gauchão,  tanto em Santa Maria quanto em outras cidades da região e do Estado. E  para brindar o sucesso do projeto, um encerramento de ano à altura: a  cobertura da ascensão do Internacional à elite do futebol gaúcho.</p>
<p>Entre tantas transmissões e viagens, muitas histórias pitorescas vão  ficando na memória. Lucas Faustino, estudante de jornalismo e um dos  coordenadores das jornadas, diz que perdeu as contas dos quilômetros  rodados pela equipe dentro de uma apertada Kombi da universidade. Os  recursos eram escassos e não havia espaço no orçamento para qualquer  tipo de luxo. Essas duras viagens eram inclusive reconhecidas pelas  outras rádios, que exaltavam, em tom jocoso, as ‘epopéias’ que a equipe  da Rádio Universidade enfrentava para chegar até o jogo. Mas Lucas  ressalta que a equipe não encarava os percalços com pessimismo: a  vontade de trabalhar e de aprender era tanta que os problemas ficavam  pelo caminho assim que os microfones eram ligados.</p>
<p>Para Lucas, a equipe melhorava progressivamente, a cada jornada que  passava. Também, não era para menos: em pouco tempo, os jovens  jornalistas tiveram a oportunidade de dividir o local de trabalho com  seus ídolos, cobrindo jogos do Internacional de Santa Maria contra  Grêmio e Internacional de Porto Alegre. Não havia melhor injeção de  ânimo para os focas – gíria usada para os repórteres iniciantes.</p>
<p>Na medida em que os novatos foram tomando autonomia, eles ganharam  espaço e confiança nas transmissões. Aos poucos, eles foram assumindo as  diversas funções da cobertura e já transmitiam jogos contando apenas  com o auxílio técnico dos profissionais da rádio. A união e a troca de  entre a intensa vontade de aprender dos aspirantes a jornalistas e a  experiência daqueles já consagrados do jornalismo esportivo foi  singular.</p>
<p>A oportunidade é ímpar: jovens estudantes de uma rádio cultural do  interior do estado, acumulando uma carga de experiência considerável.  Atualmente, quem opta pela carreira jornalística sabe como o campo de  atuação é disputado. Para garantir um bom emprego, como na selva, vale a  lei do mais forte – ou, no caso, do mais preparado. Felizmente, se  depender da parceria entre Rádio Universidade, Curso de Jornalismo e  UFSM, os estagiários têm tudo para abocanharem as melhores oportunidades  no concorrido mercado de trabalho.</p>
<p><a href="http://maladegarupa.files.wordpress.com/2010/07/foto-1.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-114" src="http://maladegarupa.files.wordpress.com/2010/07/foto-1.jpg?w=300&#038;h=225" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/maladegarupa.wordpress.com/113/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/maladegarupa.wordpress.com/113/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/maladegarupa.wordpress.com/113/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/maladegarupa.wordpress.com/113/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/maladegarupa.wordpress.com/113/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/maladegarupa.wordpress.com/113/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/maladegarupa.wordpress.com/113/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/maladegarupa.wordpress.com/113/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/maladegarupa.wordpress.com/113/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/maladegarupa.wordpress.com/113/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/maladegarupa.wordpress.com/113/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/maladegarupa.wordpress.com/113/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/maladegarupa.wordpress.com/113/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/maladegarupa.wordpress.com/113/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=maladegarupa.wordpress.com&amp;blog=13441975&amp;post=113&amp;subd=maladegarupa&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>ENTREVISTA &#8211; Duca Leindecker</title>
		<link>http://maladegarupa.wordpress.com/2010/06/30/entrevista-duca-leindecker/</link>
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		<pubDate>Wed, 30 Jun 2010 19:55:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Medeiros de Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[cultura]]></category>
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		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
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		<description><![CDATA[Duca Leindecker é cantor, guitarrista, compositor e escritor gaúcho. Ex-integrante da Cidadão Quem e da Bandaliera, hoje faz parte do duo Pouca Vogal, junto com Humberto Gessinger. YI: Duca, boa noite pra ti. Tens alguma noção de quantas vezes já esteve em Santa Maria, com o Cidadão e com o Pouca Vogal? Duca: Não! (risos) [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=maladegarupa.wordpress.com&amp;blog=13441975&amp;post=107&amp;subd=maladegarupa&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Duca Leindecker é cantor, guitarrista, compositor e escritor gaúcho. Ex-integrante da Cidadão Quem e da Bandaliera, hoje faz parte do duo Pouca Vogal, junto com Humberto Gessinger.</em></p>
<p><span id="more-107"></span></p>
<p><strong>YI: Duca, boa noite pra ti. Tens alguma noção de quantas vezes já esteve em Santa Maria, com o Cidadão e com o Pouca Vogal?</strong></p>
<p>Duca: Não!<em> (risos)</em></p>
<p><strong>E, da cidade, quais são as tuas impressões?</strong></p>
<p>As melhores possíveis; A nossa passagem por Santa Maria sempre foi marcante, superando cada vez mais&#8230;. A Cidadão era uma banda que lotava os shows, eu me lembro que, semanas antes, os shows estavam lotados, hoje o show já esta lotado também&#8230;  Quer dizer, eu acho que tem uma empatia da gente com Santa Maria; Eu acho que tem tudo a ver, a gente adora vir pra Santa Maria, e com o Pouca Vogal não tá sendo diferente.</p>
<p><strong>Pouca Vogal nasceu como um projeto que uniu dois nomes de duas bandas diferentes  e agora ganhou uma identidade, ganhou inclusive um DVD. Qual a evolução do Pouca Vogal que chega aqui em Santa Maria, em junho de 2010?</strong></p>
<p>Cara, é muito introsamento que a estrada nos deu. É bem o que tu falou: a identidade do Pouca Vogal é uma coisa muito legal&#8230; porque é um projeto diferente, feito do resultado dessas duas personalidades que se juntam e fazem uma coisa buscando um resultado encima de dificuldades, limitações técnicas. Hoje vem uma banda mais madura&#8230; uma banda, acho que a galera já tá encarando como uma banda, e não como um projeto paralelo.</p>
<p><strong>Duca, tua influência no Cidadão é bastante clara; E, hoje em dia, musicalmente falando, o que tu tens ouvido? O que tem te influenciado pro projeto &#8211; agora banda &#8211; Pouca Vogal?</strong></p>
<p>Eu sou um cara que trabalha muito com música. Eu sou produtor artístico também, tenho estúdio, faço outros projetos, me envolvo com vários projetos&#8230; Então eu escuto de tudo, na verdade. Faço trilha de filme, também, então eu acabo tendo que ouvir de tudo, fazer de tudo. Cara, na verdade eu tenho escutado coisas muito diferentes, desde samba-rock até Rush, então é difícil dizer uma só coisa.</p>
<p><strong>Quais filmes que tu trabalhaste, Duca?</strong></p>
<p>Eu fiz três longa-metragens: O Diário do Novo Mundo, com o Edson Celulari e a Daniela Escobar; o Casa Verde &#8211; que tá em cartaz agora &#8211; e o As Vidas de Maria, um longa de Brasília.</p>
<p><strong>Falando um pouco de esportes. Tu, colorado: Celso Roth na casamata do Inter&#8230;</strong></p>
<p>Cara, eu não sei. Dos dois (<em>ele e Humberto)</em> eu sou o menos apegado ao futebol. Mas eu acho que tanto faz, cara. Todo mundo é ruim no futebol! <em>(risos)</em></p>
<p><strong>Nem Copa do Mundo tu assiste?</strong></p>
<p>Não, adoro! Adoro Copa do Mundo, fico vidradão mesmo. Sou aquele torcedor ruim mesmo, que só na Copa do Mundo fica realmente vidrado. Eu adoro a Copa, tô acompanhando.</p>
<p><strong>E chega a torcer pro Brasil?</strong></p>
<p>Claro! Torço mesmo. E, claro, gosto quando tem colorado. Eu sou ideologicamente posicionado: sou colorado e sou brasileiro! Mas é mais na Copa que eu me empolgo mesmo&#8230; Agora, o Celso Roth eu acho legal. Quer dizer, tá todo mundo criticando, tirando onda, mas na verdade&#8230; tem vezes que tu chama um cara, paga uma p*ta grana e o cara não dá resultado. É um pouco aleatória, essa coisa. Futebol é tão mercenário, nesse ponto.</p>
<p><strong>Já que tu tocou nesse ponto, tem muita gente que diz que o futebol é a metáfora pra vida, futebol é a metáfora pra guerra&#8230;</strong></p>
<p>Esporte é a metáfora, todos os esportes. Eles são, na verdade, um exemplo de superação, uma experiência de convivência. Que é a vida, né? A vida é isso aí, a gente conviver com os outros e se superar. Colaboração, estratégia e tudo mais. Esporte eu acho até mais importante que a escola. Acho mais importante a criança praticar um esporte do que frequentar a escola.</p>
<p><strong>Além do futebol, tem algum outro esporte? O Duca é desportista&#8230;</strong></p>
<p>Sim, eu sou do basquete. A minha formação é o basquete, fiz basquete muitos anos, joguei muito tempo no União. E o Lakers, fazem seis rodadas que tão jogando <em>(nas finais contra o Celtics)</em>&#8230; É legal, mas parece que eles combinam, em um ano ganha um, noutro ganha outro&#8230;</p>
<p><strong>Voltando pra música. O Pouca Vogal, numa frase do Humberto, é a menor banda do rock gaúcho. Como surgiu a ideia de vocês dois fazerem esse som múltiplo, com muitos instrumentos?</strong></p>
<p>Cara, a gente se juntou<strong> </strong>e resolveu fazer. Era uma coisa muito minha e dele, não tinha vibe pra entrar outra pessoa. E aí a gente foi resolvendo as coisas sozinhos, e foi isso que deu a característica do Pouca Vogal &#8211; que é o que eu falei das limitações.</p>
<p><strong>Limitações que acabam por expandir&#8230;</strong></p>
<p>Claro, acaba por gerar criatividade.</p>
<p><strong>Há pouco o Maltz </strong><strong><em>(Carlos, ex-Engenheiros)</em></strong><strong> fez sua primeira participação no Pouca Vogal. Como foi a experiência?<br />
</strong></p>
<p>Foi ótimo! Tanto que volta em Porto Alegre, no show do Bourbon Country.</p>
<p><strong>Antes das duas bandas estorarem, tu e o Humberto já se conheciam?</strong></p>
<p>Já nos conheciamos, mas foi pela música mesmo. Éramos da mesma época, da mesma cena.</p>
<p><strong>Como foi teu inicio de carreira na música?</strong></p>
<p>Foi aos 13 anos que eu comecei a tocar profissionalmente na noite de Porto Alegre. Aos 14 anos eu comecei a tocar guitarra e aos 15 eu fui escolhido melhor guitarrista do Rio Grande do Sul pela Zero Hora. Daí eu comecei a ter visibilidade, comecei a aparecer.</p>
<p><strong>Quais os primeiros bares de Porto Alegre que tu tocaste? Tocava o quê?<br />
</strong></p>
<p>Chacal Bar foi o primeiro bar que eu toquei. Tocava MPB, e isso continua sendo vertente até hoje.</p>
<p><strong>E quando voltas a Porto Alegre, ainda tocas em algum lugar mais alternativo?</strong></p>
<p>É, usualmente, como canja. Mas como solo, não.</p>
<p><strong>Recentemente houve uma polêmica com o Nei Lisboa e os músicos tradicionalistas &#8211; os chamou de reacionários. Qual a tua visão, enquanto músico que bebe de diversas vertentes, da música gaúcha da atualidade?</strong></p>
<p>Eu acho que música tradicionalista é tradicionalista, é reacionária pelo nome. Quando se fala em tradição, o negócio é manter a tradição, isso não tá aberto a mudanças. Se tiver, deixa de ser tradição. Eu acho que tem espaço pra tudo, e eu não rotularia nada. Tem esse movimento tchê-music &#8211; que eu, particularmente, não gosto, mas acho que tem que ter espaço&#8230; têm tradicionalistas que também não gostam de tchê-music&#8230; Cara, eu acho que tem que respeitar tudo.</p>
<p><strong>Pouca Vogal, pelos nomes fortes que tem, se preocupa em não cair no mainstream ou virar uma banda excessivamente comercial?</strong></p>
<p>Não, eu acho que é impossível, eu não me preocuparia com isso <em>(risos)</em></p>
<p><strong>Do que surge agora, em Porto Alegre e no Rio Grande do Sul, o que tu destacaria?</strong></p>
<p>Eu ainda aposto muito numa banda daqui de Santa Maria, que se chama Vera Loca, que tá no terceiro disco e que é a minha banda favorita. De Porto Alegre, uma banda que eu tô produzindo, que se cham Stereosounds e vai vir com o samba-rock pra ocupar o espaço que o Ultramen deixou.</p>
<p><strong>Pra finalizar,voltando ao esporte: com Dunga, Nilmar, Lúcio e outros colorados, qual teu pitaco pra Copa?</strong></p>
<p>Cara, eu acho que se o Brasil não ganhar a Copa, é por uma fatalidade. Não dá cara, o Brasil é a elite do futebol mundial, entendeu? Porque tu pega os melhores jogadores dos melhores times do mundo e sempre tem Brasil. Sobram jogadores no Brasil, o Brasil tem muito talento. Eu não gosto do Robinho, mas é um baita jogador. Quer dizer, eu não gosto de um baita jogador! Ou seja, tá sobrando! E, se tu for analizar, o jogo tava certo contra a Coréia, eles fizeram tudo certo. Os coreanos desesperados pra não tomar gol, retrancando tudo, é difícil mesmo de entrar. E eles conseguiram entrar e podiam ter feito muito mais! Só que às vezes é f*da, futebol não é uma ciência exata.</p>
<p><strong>E o Inter na Libertadores, com Sóbis, Renan e Tinga?</strong></p>
<p>O Inter ganhou o campeonato mundial sem ter time pra ganhar um campeonato mundial! Foi ou não foi? Então isso é uma coisa que a gente não consegue explicar. É o coloradismo, é o coloradismo&#8230;</p>
<p>&#8212;</p>
<p>Entrevista realizada dia 18 de junho, no hall do hotel Morotim, Santa  Maria-RS, antes do show do Pouca Vogal, para o quadro Música e Esporte  do Radar Esportivo.</p>
<p>Por Yuri M. e Iuri M.  (http://callesoriano.wordpress.com/).</p>
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		<title>Interior Esquecido: Tabajara-Guaíba (Getúlio Vargas-RS)</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Jun 2010 14:37:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yuri Medeiros de Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[audio]]></category>
		<category><![CDATA[esporte]]></category>
		<category><![CDATA[interior esquecido]]></category>
		<category><![CDATA[radar esportivo]]></category>
		<category><![CDATA[taguá]]></category>

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		<description><![CDATA[(reportagem originalmente veiculada na rádio Universidade, programa Radar Esportivo de 29/5/2010) O quadro Interior Esquecido do programa Radar Esportivo resgata a história de clubes do interior do estado que já foram grandes e hoje estão olvidados, perdidos no tempo. Neste Interior Esquecido,  a história do Taguá, o Tabajara-Guaíba de Getúlio Vargas. Ouça/baixe aqui: http://www.4shared.com/audio/D4kz3ImP/000_-_INTERIOR_ESQUECIDO_-_TAB.html (gracias [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=maladegarupa.wordpress.com&amp;blog=13441975&amp;post=99&amp;subd=maladegarupa&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>(reportagem originalmente veiculada na rádio Universidade, programa Radar Esportivo de 29/5/2010)</em></p>
<p>O quadro Interior Esquecido do programa Radar Esportivo resgata a história de clubes do interior do estado que já foram grandes e hoje estão olvidados, perdidos no tempo.</p>
<p>Neste Interior Esquecido,  a história do Taguá, o Tabajara-Guaíba de Getúlio Vargas.</p>
<p>Ouça/baixe aqui:</p>
<p>http://www.4shared.com/audio/D4kz3ImP/000_-_INTERIOR_ESQUECIDO_-_TAB.html</p>
<p><em>(gracias Laís Bozetto, que produziu comigo o Interior Esquecido)</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/maladegarupa.wordpress.com/99/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/maladegarupa.wordpress.com/99/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/maladegarupa.wordpress.com/99/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/maladegarupa.wordpress.com/99/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/maladegarupa.wordpress.com/99/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/maladegarupa.wordpress.com/99/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/maladegarupa.wordpress.com/99/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/maladegarupa.wordpress.com/99/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/maladegarupa.wordpress.com/99/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/maladegarupa.wordpress.com/99/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/maladegarupa.wordpress.com/99/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/maladegarupa.wordpress.com/99/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/maladegarupa.wordpress.com/99/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/maladegarupa.wordpress.com/99/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=maladegarupa.wordpress.com&amp;blog=13441975&amp;post=99&amp;subd=maladegarupa&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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